Cruel destino!
Tristeza, compassivo pranto
Desejos que ainda se escondiam,
Tormento doído!
A boca tremante em desejo compungido
Absorta em piedade,
Senti letal conflito.
Os vícios tormento ingente
Rasga, esfola, maltrata a gente,
Lança essa iguaria amarga
que doce fel aos dentes mostra
A goela devorante,
Brada de fome.
Devorando, aquieta as iras de antes,
Aplaca a fúria,
Na fome que lhe atordoa,
Lhe roubando a forma que tinha de pessoa.
É grande a angústia em que padeces,
Pelos pecados teus,
Errante!
Se há maior, não sei.
Tudo é tão displicente,
enregelado e fraco,
Morto!
Da existência gozei serena
hoje padeço na dor crescente,
Sete pecados multiplicados,
Orgulho, inveja ou avareza,
Tanto faz, o pecado jaz.
Céu ou inferno, o castigo,
Entre os retos faz sentido.
Cai entre os mais cegos,
Silêncio...
Aguardam o julgamento.